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Fez em Setembro 5 anos que deixei o meu Portugal e cheguei à pequena vila de Chevry como aupair. A situação que vivia depois de acabar a licenciatura levou-me a procurar uma solução rápida que me tirasse de Portugal. Os meus amigos não entenderam, a minha família ainda menos. Eu deixei um emprego aparentemente estável e um um salário razoável para ir para outro país ser baby-sitter. Era definitivamente um emprego que não me fazia feliz. Mais do que isso, era um emprego que me atormentava e não me deixava dormir. Era um emprego que me deprimia e onde não havia caminho a seguir. Todos os dias eram iguais e isso nunca iria mudar. Eu nunca iria aprender nada ou sentir-me útil, eu nunca iria pôr em prática aquilo que estudei. E foi por isso que decidi arriscar. Sei muito bem que muitos pensaram (e poderão ainda pensar ao ler este post) - que ingrata de merda. Tanta gente sem emprego ou a ganhar um salário miserável e eu deixei tudo por uma aventura. Talvez, mas não teria sido muito pior se eu me tivesse mantido num emprego que me fazia infeliz quando tanta gente lhe poderia dar mais valor que eu?

 

Teorias de ingratidão à parte, eu decidi tentar a minha sorte fora de Portugal, mesmo que para isso tivesse significado começar humildemente. Depois de algum tempo como aupair encontrei um bom emprego e durante estes 5 anos fui muito feliz muitas vezes, comi o pão que o diabo amassou outras tantas, aprendi mais do que alguma vez imaginei  e cresci profissional e pessoalmente numa direcção que sempre almejei.

 

Em Setembro deste ano abandonei o meu anterior emprego e não fiz de ânimo leve. Tinha uma grande dívida de gratidão com a minha então chefe e sabia que a iria desiludir. Foi o primeiro emprego que amei realmente, foi o primeiro trabalho por que me apaixonei. Adorei com todos as minhas forças e durante muito tempo aquilo que fazia. Fui uma profissional feliz e realizada durante a maior parte dos anos em que trabalhei com o Bureau Veritas. Mas houve um momento, que não consigo precisar exactamente quando ocorreu, em que esse amor começou a diminuir, em que a motivação começou a descer e em que eu senti que já não tinha muito mais a aprender e que também já não tinha muito mais como contribuir para aquela equipa. A minha chefe e mentora de sempre começou a fazer escolhas com as quais eu já não me identificava, a promoção que me ia sendo prometida nunca mais chegava, e eu, que sempre fui um tanto ou quanto ambiciosa, comecei a ansiar por uma oportunidade mais desafiante, uma lufada de ar fresco.

 

Já numa altura aqui tinha falado da história do vento de mudança que tanto me caracteriza. Desta vez ele foi dando uma ar da sua graça de quando em vez mas só soprou verdadeiramente em Julho deste ano, depois de vários meses de introspecção profissional.

 

Não me arrependo de absolutamente nada no meu caminho até aqui. Muito menos dos anos que passei com esta empresa. Com eles pude viajar e conhecer mais do mundo, aprendi algumas línguas, aperfeiçoei outras. Conheci tanta, tanta gente! Descobri tantas culturas e tornei-me tão mais tolerante. Aprendi tanto, sobre tudo e sobre nada. Fiz alguns amigos, que espero guardar para a vida. E claro, mais importante do que tudo o resto, descobri um outro tipo de amor também. Descobri o amor. Desmesurado, incontrolável, impossível, avassalador. Daqueles sobre os quais lemos nos livros e que vemos em filmes de Domingo à tarde. Daqueles que só se acredita que existe mesmo quando se o vive. E eu que não acreditava...

 

Posto isto, não poderia jamais deixar de me sentir imensamente grata pela oportunidade que me foi dada naquele cinzento dia de Dezembro carregado de neve. Foram maravilhosos os tempos que vivi nesta empresa, apesar dos dias menos bons. E sei que nunca teria chegado onde estou hoje se por lá não tivesse passado. Por isso, obrigada. Sei que poucos ficaram felizes com a minha partida, a maioria não conseguiu sequer perdoar-me por tê-lo feito. Mas a proposta que recebi era, sem dúvida, a estrada certa para eu continuar. E eu continuei.

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publicado às 13:29



Catarina

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