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peripécias de zurique

peripécias de zurique

O referendo de 9 de Fevereiro

A Suíça vai ter um referendo sobre imigração em Fevereiro de 2014.

A iniciativa, do partido SVP, “contra a imigração em massa”, pretende limitar a entrada de estrangeiros, fixando quotas para a atribuição de autorizações de residência para todos os estrangeiros e é contrária ao acordo de livre circulação de trabalhadores assinado entre a Suíça e a União Europeia em 2008.

O SVP propõe também restrições à atribuição de direito de residência a familiares dos imigrantes e ao acesso a prestações de saúde por estrangeiros.

O Governo e vários membros do parlamento Suíço já vieram manifestar-se contra a iniciativa, alegando que a decisão poderá colocar em risco todos os acordos bilaterais existentes com a UE.

Segundo o ministro da economia suíço, o eventual “sim” irá criar problemas às empresas locais que exportam para a Europa, principal parceiro comercial da Suíça e cujos estados-membros canalizam cerca de 56% das exportações e 75% das importações da confederação helvética, segundo números oficiais.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros local afirma também que a criação de quotas de imigração "restringiria a margem de manobra das empresas estabelecidas no país", dificultando o recrutamento de mão-de-obra estrangeira necessária ao crescimento da economia e à competitividade económica do país.

Os sectores da indústria, construção, saúde, ensino, investigação, restauração e agricultura na Suíça dependem em boa parte de trabalhadores estrangeiros.

O SVP admite que a Suíça precisa de trabalhadores estrangeiros, mas defende, no entanto, que deve caber aos Suíços a decisão sobre “quem pode entrar no país, e por quanto tempo pode ficar”.

Este movimento é só o início de uma série de iniciativas que visam travar a crescente imigração do país.

Em Junho de 2012 o Governo suíço já tinha introduzido, ao abrigo de uma cláusula de salvaguarda do acordo com a UE, quotas para as autorizações de residência temporária para cidadãos europeus do espaço Schengen, onde vigora a livre circulação de pessoas.

Ainda a 9 de Fevereiro, vai a referendo uma proposta para limitar os estrangeiros com base na capacidade ambiental do país para receber mais pessoas.

Segundo uma sondagem do Gabinete Suíço de Estatísticas em 2013, 27% da população é composta por emigrantes e filhos de emigrantes. O SVP afirma que a imigração em massa tem feito aumentar a criminalidade e o custo de vida para os cidadãos nacionais. Em 2006, 86% dos estrangeiros residentes na Suíça veio da UE. Quase um quarto deles nasceu na Suíça, mas mantêm a nacionalidade dos seus pais.

Segundo dados oficiais do último mês de Agosto, a Suíça viu aumentar a imigração em 4,6%, e tem agora cerca de 1,23 milhões de imigrantes, numa população com perto de 8 milhões de pessoas.

 

O Conselho Federal já rejeitou a iniciativa do SVP em Dezembro de 2012, mas a decisão final caberá aos eleitores suíços, no referendo de Fevereiro de 2014.

Então mas agora já não se pode ir trabalhar para a Suíça?

Tenho sido várias vezes questionada acerca da cláusula de salvaguarda prevista no acordo sobre livre circulação de pessoas assinado entre a Suíça e a União Europeia (UE) em 2002.
Esta cláusula é uma opção de controlo que permite à Suíça estabilizar de forma unilateral as quotas máximas de títulos de residência, de curta e longa duração (permits).
Muito honestamente, não tinha até agora encontrado muita informação acerca deste tema, por isso fui procurar e encontrei a comunicação oficial divulgada pelo Ministério da Justiça e Polícia Suíço (EJPD), juntamente com a devida explicação.
Fica o link para os que estejam mesmo a considerar vir para cá e o aviso: encontrar trabalho já não é suficiente.

O comunicado pode ser consultado em Alemão, Francês, Italiano e Inglês, na  página do EJPD:

http://www.ejpd.admin.ch/content/ejpd/en/home/dokumentation/mi/2013/2013-04-24.html


Ainda relativamente ao emprego na Suíça

Toda a informação de que disponho acerca de eventuais possibilidades de trabalho e da vida em geral na Suíça publico aqui no estaminé. Tudo o que sei pode ser encontrado algures por cá e não tenho nenhuma informação privilegiada ou secreta que não possa aqui publicar. Infelizmente é tudo o que posso fazer para tentar de alguma forma ajudar os que por aqui aparecem todos os dias e por isso não vale mesmo a pena contactarem-me a pedir emprego. Porque eu não tenho como arranjar emprego para ninguém. É isto.

Hoje vim aqui para recomendar a página de empregos internacionais do expresso. Tem cerca de seis mil ofertas no estrangeiro, trezentas das quais para a Suíça.
Fica o link, para os interessados: http://expressoemprego.pt/emprego-estrangeiro


Em tom de alerta: "Aumentam os casos de exploração de portugueses na Suíça"

Os tempos que correm a isso obrigam, e são cada vez mais as pessoas que, dominadas pelo desespero, aceitam sair de Portugal em condições precárias.

Este artigo em nada me surpreende, e não conhecendo ninguém próximo nesta situação, tenho plena consciência que este tipo de situações é comum.

O que mais me deprime é saber que, em muitos casos, são os próprios portugueses, que enquanto empregadores, se aproveitam do desespero dos que aqui chegam, pagando "salários" de miséria e tirando vantagem da falta de conhecimento ou alternativa.

Triste também é a passividade do consulado, que eu própria já presenciei, que ao invés de agir em prol dos tantos portugueses deste país, os trata como estranhos.

 

Para os interessados, fica o artigo publicado pela Visão:

 

O deputado do PS pela emigração, Paulo Pisco, exortou este domingo o Governo a abordar as autoridades da Suíça para resolver os casos de exploração de trabalhores portugueses no país, que têm vindo a crescer e que envolvem vários licenciados

Na conclusão de uma visita à Suíça, em que se reuniu com representantes de sindicatos e outros membros da comunidade, o deputado socialista disse à Lusa que há "intermediários" a tirar partido do aumento da imigração portuguesa para a Suíça, retendo parte do salário dos contratados.

"Muitos recebem infinitamente abaixo daquilo que as convenções de trabalho na Suíça obrigam", disse à Lusa o deputado.

Enquanto o salário estipulado nas convenções varia entre 25 a 35 francos suíços por hora, nalguns casos o vencimento real dos trabalhadores é de "menos de 10 euros" (12,3 francos) e até "menos de cinco euros" (6,1 francos). "É uma situação de exploração laboral clara, que provoca um `dumping? salarial e cria problemas de natureza social. É uma infracção a todas as regras e leis do Estado suíço e não é aceitável que este tipo de situações ocorra", adiantou Paulo Pisco.

Nalguns casos, são empresas de portugueses a "atravessar dificuldades", que contratam conterrâneos e acabam por explorá-los, noutros os responsáveis são "intermediários com patrões suíços ou que eles próprios tem negócios", de acordo com as denúncias que têm chegado aos sindicatos. A construção é o sector onde se verificam mais destes casos, mas também há relatos noutros serviços, como a restauração, segundo o deputado socialista.

Pisco exorta o Governo a abordar as autoridades suíças para que sejam criadas "comissões mistas com inspecções do trabalho, colaboração entre autoridades policiais, para que este tipo de redes de exploração de portugueses pudesse vir a ser desmantelado". Além de serem negativos para as pessoas afectadas, estes casos prejudicam também "a imagem da comunidade" e "embaraçosa para Portugal", envolvendo violação das leis por portugueses.

Um ano depois de ter constatado "in loco" os "indícios" da situação, "não há uma resposta por parte das autoridades portuguesas, a nível consular". "O Consulado não tem capacidade de resposta, não tem funcionários suficientes (...) não sai do seu edifício, não tem uma preocupação de natureza social para que este tipo de problemas possa ser resolvido. É importante que as autoridades mudem um bocado de atitude", afirma Pisco.

Segundo o deputado socialista, o mais recente fluxo migratório para a Suíça inclui parte substancial de diplomados, como arquitectos ou engenheiros, que muitas vezes acabam a trabalhar na "restauração, limpeza ou agricultura".

 

artigo publicado on-line pela revista Visão

Economist considera Suíça o melhor país para nascer em 2013

"A Suíça ascendeu ao topo do ranking dos melhores países para nascer, substituindo os Estados Unidos da América, 25 anos depois de ter sido divulgado o estudo original da revista britânica. Portugal está em 30.º lugar."

in Jornal de Negócios

Perguntam-me muitas vezes se cá estou para ficar. Se é aqui que quero criar os meus filhos. E eu vou adiando a resposta porque a verdade é que não tenho a mínima ideia. Não estou emocionalmente presa a este país. A minha permanência aqui deve-se tão e somente à oportunidade de trabalhar na minha área, ao salário bem pago, ao bom nível de vida e ao facto de estar a duas horas e meia de casa, de avião. Não sei quanto tempo ficarei por cá, não tenho um projecto. No dia em que aparecer algo melhor, vou embora. Por isso, e porque não planeio filhos a curto prazo, não posso saber se é aqui que vou querer vê-los crescer.
É claro que, pelo lado racional da ideia, seria sem dúvida bom para eles crescerem num país seguro a todos os níveis. Nunca vão conhecer dificuldades económicas, nunca lhes irá faltar nada, terão certamente muito mais do que aquilo que vão precisar. Vão poder brincar na rua até tarde, caminhar para a escola com os amigos... a probabilidade que algo de mal lhes aconteça é ínfima porque a comunidade protege e vigia as crianças alheias, os automobilistas são meticulosamente cuidadosos e os perigos são controlados ao pormenor. Vão crescer num país onde não deitar lixo para o chão, reciclar ou apanhar o cocó do cãosinho na rua são coisas tão naturais e rotineiras como lavar os dentes.
Mas crescer aqui significa também crescer no modelo de educação suíço. E lamento não conseguir concordar com grande parte do que essa filosofia implica. Senão vejamos: em muitos infantários (não acredito que em todos) as crianças são separadas por salas: suíços para um lado, estrangeiros para o outro. Isto para que o desenvolvimento das crianças suíças não seja afectado pelo atraso das restantes que não falam ainda Alemão ou que falam incorrectamente. Se por um lado, as crianças estrangeiras irão demorar ainda mais a aprender a língua e terão certamente dificuldades quando chegarem à escola, as crianças suíças, por outro, aprenderão logo ao início que a interculturalidade é uma coisa má. Aprenderão a não respeitar as diferenças, e crescerão com o preconceito de que tudo o que é suíço é melhor e tudo o que é estrangeiro é mau.
E todo o sistema de educação está desenhado neste sentido proteccionista e nacionalista. O que certamente não é uma coisa má para o país. Mas é péssimo para a formação de cidadãos, de pessoas no verdadeiro sentido da palavra.
Tenho um colega suíço que me explica  de vez em quando porque todos estes ideais fazem sentido para ele, e que me diz muitas vezes "you love too much".
Mas eu não acho que o amor seja demais. Eu gosto de gostar das pessoas que me rodeiam e de me certificar que elas sabem disso. Eu gosto que as pessoas se sintam queridas e bem-vindas e aceites. I am a people person. E é isso que eu quero que os meus filhos sejam.
De que vale saber separar o vidro do cartão, se eu não souber que pessoas não se colocam em contentores rotulados nem se separam por cores, nacionalidades ou religiões?

Isto de falar do Natal quase um mês depois...

O meu Natal foi, claro está, no meu cantinho à beira-mar plantado. Empanturrei-me do que é bom e que só em Portugal encontro, sempre às escondidas do maldito monstro da balança. E abracei a família e os amigos tantas vezes quantas quis durante a quadra natalícia.
E apesar de ser cada vez mais difícil de regressar, principalmente depois de duas semanas em casa, na minha verdadeira casa, não posso deixar de pensar no quão priviligiada sou. Uma grande parte dos meus amigos desterrados por esse mundo fora, e outra grande parte dos que fiz aqui não conseguiram, mais uma vez, ir passar o Natal a casa.
Com mais ou menos esforço, consigo ir a Portugal a cada 3 meses, mais coisa menos coisa. Trabalho que me desunho, é verdade, mas sou largamente compensada pela oportunidade de passar mais tempo com os meus, do que a maioria das pessoas que hoje em dia saem de Portugal.
Quanto ao ano que passou, foi feliz. E eu também. Começou logo bem com a chegada de um membro muito especial à minha família portuguesa. Os meus pais precisavam urgentemente de alguém para lhes ocupar os dias que ficaram mais vazios desde que vim embora. E a chegada da melhor cadela do mundo trouxe uma lufada de ar fresco (ou será um tufão?) àquela casa.
Viajei menos que o habitual, fiz alguns amigos novos e consolidei os velhinhos, que há tantos anos conservo. Trabalhei mais do que nunca e vi o meu esforço ser apreciado. Assisti à realização profissional de pessoas que amo, ao milagre da vida, e à vitória do amor.
Continua a ser difícil estar longe e regressar com o coração cada vez mais apertado. Os sorrisos da chegada são substituidos demasiado rapidamente pelas lágrimas da partida. Mas num balanço geral, continua a valer a pena.

Já vos falei da religião?

 

Pois é. Aqui quem é religioso paga imposto. E não é pouco. É anual e é bem pesado.
Caso não pretendam ir à missa com regularidade, casar cá pela igreja, mandar os vossos filhos à catequese e coisas que tais, ou resumidamente, caso não sejam praticantes e não queiram "doar" parte do vosso salário à igreja, é melhor não andarem por aí a dizer ao povo que são católicos, ou protestantes, ou qualquer outra das religiões oficiais do país.
Se quando se registarem na Gemeinde vos perguntarem se são religiosos e qual é a vossa religião, não estão apenas a ser curiosos - É PARA VOS FAZER PAGAR, MEUS AMIGOS. Se não estiverem interessados, mais vale dizer que são sikhs.
É que se, como eu, ingenuamente disserem que são católicos, depois já não há como fugir. Eu bem que lá fui dizer que afinal tinha reavaliado a minha fé e já não acreditava em nada, mas levei com um manguito figurativo. Ai queres deixar de pagar? Então arranja uma declaração da tua igreja que comprove que cortaste relações com eles, ou que foste excomungada, ou que eles já não gostam de ti, pronto.

Encontrei emprego na Suíça, e agora?

Fantástico, conseguiram emprego. Mas então e agora? Abalar assim do nada com a mochila às costas e dinheiro suficiente para lá chegar não é boa ideia. É péssima!

Vir trabalhar para um país como este implica muitos detalhes que podem escapar aos estreantes nestas lides de trabalhar no estrangeiro. Apesar de localizada na Europa, a Suíça não faz parte da União Europeia, pelo que chegar aqui com o cartão de cidadão no bolso não chega para cá ficar.

First things first.

Regra básica quando se vai trabalhar para fora, seja para que país for: Não sair sem contrato de trabalho em circunstância alguma. Se a empresa for fiável e tiver verdadeiro interesse, vai enviar o contrato antes da relocalização da pessoa em causa.

Contrato na mão, o próximo passo é encontrar um sítio para ficar. Se não tiverem a sorte de a empresa que vos contratou vos fornecer alojamento (temporário ou não), têm uma verdadeira odisseia pela frente. Arranjar casa cá é extremamente difícil, principalmente para estrangeiros e especialmente na parte francesa da Suíça. E não contem em conseguir encontrar alguma antes de cá chegar e fazer algumas visitas. O ideal é começar a pesquisa o quanto antes, no homegate.ch ou no comparis.ch e fazer contactos via e-mail / telefone. Preparem-se para passar alguns dias (na melhor das hipóteses) num hotel ou em casa de alguém, porque depois de arranjada a casa ideal e considerando que a vossa candidatura foi aceite (exactamente: existe uma lista de espera e é necessário preencher uma candidatura, para cada casa/apartamento), o processo que se segue não é especialmente célere. Há o contrato para assinar, a papelada para entregar e o pagamento da caução. Normalmente 2 rendas em avanço. E aqui chegamos a outro ponto muito importante a considerar:

Quem se muda para cá tem de ter, inevitavelmente, algum dinheiro de parte para fazer face às despesas que começar uma vida aqui implica.

A caução obrigatória quando se arrenda uma casa é normalmente o mais custoso. Uma renda para um T1 decente fora da cidade ronda os 1500 CHF. Aquando da entrada na casa há que pagar 2 meses de caução + a primeira renda. Façam-lhe as contas.

Depois há as despesas relativas a activações de serviços, registo na Gemeinde (tipo junta de freguesia, muito importante, não esquecer logo que se fixarem numa localidade!), seguros de saúde e por aí em diante.

Convém não esquecer que durante o primeiro mês não haverá salário, e considerando o nível elevado dos preços em geral, sobreviver aqui não é o mesmo que em Portugal.

Para que um cidadão Europeu possa trabalhar na Suíça precisa de um Permit (ou permis en Français). Nada mais que uma licença de trabalho e residência que tem de ser obtida na Gemeinde, apresentando o contrato de trabalho, a morada e algumas fotografias (e possivelmente mais qualquer coisa que não me recordo).

Quanto à saúde, não há cá mimos e segurança social promovida pelo governo. O seguro de saúde é privado, pago por cada indivíduo e obrigatório, e mais nada. É um dos primeiros requerimentos do empregador. Nada de pânico: nos primeiros dias, em caso de emergência e enquanto o seguro não está 100% operacional, podem usar o Cartão Europeu de Seguro de Doença que devem pedir em Portugal logo que saibam que vão sair do país (é que a coisa demora!). O melhor sítio para comparar preços de seguros e entender as mais variadas ofertas e opções é novamente o comparis.ch, o melhor amigo dos estrangeiros!

O empregador pode e deve assistir os seus recém-contratados aquando de uma relocalização. Mais que não seja, fornecendo informações de como e onde procurar o quê, e disponibilizando-se como referência no processo de avaliação de candidaturas para alojamento.

Finalmente, nem tudo são más notícias! Não se preocupem se a mudança para cá implicar falência técnica e quiçá empenhamento até ao tutano. Serão capazes de saldar as dívidas contraídas para o efeito facilmente em dois ou três meses de trabalho!

 

Como arranjar emprego na Suíça

Não, não vou passar nenhuma fórmula milagrosa que vai resolver todos os problemas do mundo, e muito menos dizer algo de novo que nunca tenha sido dito.
Quero apenas com este post esclarecer que eu não trabalho em recursos humanos, não tenho uma agência de emprego nem conheço ninguém que "arranje um tacho".
Limitei-me a enviar currículos a torto e a direito, batalhei e consegui emprego da forma mais límpida e comum possível: desunhando-me a procurar.
Referindo-me só e apenas à minha área, encontrar emprego cá não é mais fácil que em qualquer outro sítio pela Europa fora. Desenganem-se os que pensam que este país é o pote de ouro no fim do arco-íris. Há alguma oferta (não tanto como em outros tempos), mas o grau de exigência é elevadíssimo. Falar alemão é quase um must e raras são as ofertas que não o exigem como requisito base. No entanto ainda é possível trabalhar na Suíça falando apenas inglês. E depois a experiência profissional. É muito chato, porque todos nós temos que começar por algum lado, mas a verdade é que aqui não é o lugar. Principalmente se ainda residirem noutro país. Nenhum recrutador vai fazer deslocar uma pessoa que nunca trabalhou na vida e incorrer no risco de esta não se adaptar, não gostar de trabalhar ou simplesmente não servir e ter que voltar para o país de onde veio.
Esqueçam a ideia de vir cá passar uns tempos e "entregar uns currículos". Pelo menos por cá, isso já não se usa. De nada serve ir bater às portas das agências de emprego com o cv debaixo do braço. A maioria vai pedir-vos que enviem na mesma por e-mail, e uma grande parte nem sequer vai aceitar a versão papel. O mesmo se aplica às empresas: andar de porta em porta não resulta. Na maior parte das vezes não vos deixarão entrar, muito menos se disserem que é para entregar um currículo.
A melhor forma de procurar emprego é a mais básica: via internet. Existem vários sites, sendo que o mais popular por estas bandas é o jobs.ch, onde eu própria encontrei a oferta para a posição onde hoje trabalho. Os sites das agências de emprego também são uma boa fonte, uma vez que é bastante comum aqui que as empresas recorram a agências para recrutamento. Tenho ouvido que a mais eficiente para estrangeiros é a Michael Page.
Um dos maiores problemas que tenho encontrado entre as pessoas que me pedem ajuda é precisamente o cv. Se não têm ideia do que colocar num cv, usem uma ferramenta on-line. Usem o europass, por exemplo. E se procuram um emprego como secretária admnistrativa, não escolham uma foto em que parecem uma barmaid! Não esquecer que estamos a concorrer para emprego em outro país, onde as pessoas não sabem o que é ZON, a Casa das Sandes ou o João Ramiro e Filhos Lda.. Expliquem devidamente qual é a área de actividade das empresas onde trabalharam anteriormente e os detalhes da vossa função. Se não têm experiência profissional relevante, coloquem qualquer outro tipo de actividades que tenha feito: voluntariado, seminários, formações complementares... Enviar um currículo de onde só consta a formação académica, a menos que seja para um estágio, é o mesmo que estar quieto. E não esquecer a carta de apresentação. Não vale andar a procurar modelos "pré-fabricados" na internet.
Outra ferramenta útil para procurar emprego cá é o linkedin. Criem um bom perfil, completo e com fotografia e comecem a vossa rede profissional. Concorram a ofertas de emprego e mantenham-se activos e eventualmente alguém pode reparar em vocês. Não caiam no erro de criar um perfil inteiramente em português, pelos motivos óbvios.
As cunhas, o factor "C", whatever, whatever... não funcionam aqui. Um amigo que conhece uma empresa que precisa de uma pessoa com determinado perfil e que vos arranja uma entrevista, sim. Mas o emprego não está garantido por causa disso.
Muito importante é não desistir. Insistir até à exaustão. Quando pensarem que já não dá mais, alguma coisa acaba por aparecer.

 

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