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peripécias de zurique

peripécias de zurique

Suíça quer mais mulheres a gerir grandes empresas

De há uns tempos para cá, o Observador faz parte da minha rotina diária de visitas e passou a ser, a par do querido Sapo, uma das minhas principais fontes de informação.

Para além das notícias, tem sempre reportagens interessantes, artigos de opinião e um grande talento para explicar as problemáticas actuais de que ouvimos falar todos os dias mas que muitas vezes não compreendemos bem.

 

De salientar hoje esta notícia, que a mim particularmente me interessa, e que passo a transcrever:

 

"A Suíça quer mais mulheres à frente dos negócios do país. O Governo apresentou um projeto de lei para que os conselhos de administração e os quadros de gestão das grandes empresas, tenham, pelo menos, 30% de mulheres, avança o Financial Times. Caso seja aprovado, terá sido dado mais um passo pela igualdade de género na Europa.

Esta semana, o Governo alemão também indicou que vai avançar com uma medida que estabelece um limite mínimo de 30% de mulheres em cargos de administração, mas a iniciativa do Executivo suíço vai mais além e inclui os cargos de gestão sénior no limite mínimo de 30%.

Uma vez aprovada, a medida terá de ser cumprida em cinco anos, mas não estão previstas sanções para as empresas que não cumprirem com a quota. Contudo, terão de justificar o incumprimento e apresentar medidas para melhorar o rácio da igualdade de género no futuro.

“É uma vergonha que tenhamos de precisar de quotas, mas a verdade é que as medidas voluntárias [das empresas] ainda não deram o retorno que precisamos”, disse Eleanor Tabi Haller-Jorden, presidente do Paradigm Forum, um think-tank suíço, acrescentando que para que a medida resulte também é preciso mudar a cultura das empresas.

A proposta do Governo vai ser discutida no Parlamento e o CVP, partido do centro-direita, já avançou que vai rejeitá-la. No universo empresarial suíço, não existe nenhuma mulher a presidir uma grande empresa e apenas Nayla Havek, da Swatch, representa o universo feminino na presidência não executiva.

Na última década, têm sido várias as iniciativas que visam incluir mais mulheres nas administrações das empresas. Em 2003, a Noruega avançou com uma medida para que 40% dos cargos de administração fossem ocupados por mulheres. França, Holanda e Espanha foram os países que se seguiram.

Segundo dados da empresa de recrutamento de topo Heidrick and Struggles, divulgados pelo Financial Times, as mulheres ocupavam cerca de 17% dos conselhos de administração de empresas europeias em 2013. Em 2011, ocupavam cerca de 12%. A Noruega é o país exemplo, com 39% dos cargos de direção a serem ocupados por mulheres, ao qual se segue a Finlândia e a Suécia, com 27%."

Então mas agora já não se pode ir trabalhar para a Suíça?

Tenho sido várias vezes questionada acerca da cláusula de salvaguarda prevista no acordo sobre livre circulação de pessoas assinado entre a Suíça e a União Europeia (UE) em 2002.
Esta cláusula é uma opção de controlo que permite à Suíça estabilizar de forma unilateral as quotas máximas de títulos de residência, de curta e longa duração (permits).
Muito honestamente, não tinha até agora encontrado muita informação acerca deste tema, por isso fui procurar e encontrei a comunicação oficial divulgada pelo Ministério da Justiça e Polícia Suíço (EJPD), juntamente com a devida explicação.
Fica o link para os que estejam mesmo a considerar vir para cá e o aviso: encontrar trabalho já não é suficiente.

O comunicado pode ser consultado em Alemão, Francês, Italiano e Inglês, na  página do EJPD:

http://www.ejpd.admin.ch/content/ejpd/en/home/dokumentation/mi/2013/2013-04-24.html


Ainda relativamente ao emprego na Suíça

Toda a informação de que disponho acerca de eventuais possibilidades de trabalho e da vida em geral na Suíça publico aqui no estaminé. Tudo o que sei pode ser encontrado algures por cá e não tenho nenhuma informação privilegiada ou secreta que não possa aqui publicar. Infelizmente é tudo o que posso fazer para tentar de alguma forma ajudar os que por aqui aparecem todos os dias e por isso não vale mesmo a pena contactarem-me a pedir emprego. Porque eu não tenho como arranjar emprego para ninguém. É isto.

Hoje vim aqui para recomendar a página de empregos internacionais do expresso. Tem cerca de seis mil ofertas no estrangeiro, trezentas das quais para a Suíça.
Fica o link, para os interessados: http://expressoemprego.pt/emprego-estrangeiro


Em tom de alerta: "Aumentam os casos de exploração de portugueses na Suíça"

Os tempos que correm a isso obrigam, e são cada vez mais as pessoas que, dominadas pelo desespero, aceitam sair de Portugal em condições precárias.

Este artigo em nada me surpreende, e não conhecendo ninguém próximo nesta situação, tenho plena consciência que este tipo de situações é comum.

O que mais me deprime é saber que, em muitos casos, são os próprios portugueses, que enquanto empregadores, se aproveitam do desespero dos que aqui chegam, pagando "salários" de miséria e tirando vantagem da falta de conhecimento ou alternativa.

Triste também é a passividade do consulado, que eu própria já presenciei, que ao invés de agir em prol dos tantos portugueses deste país, os trata como estranhos.

 

Para os interessados, fica o artigo publicado pela Visão:

 

O deputado do PS pela emigração, Paulo Pisco, exortou este domingo o Governo a abordar as autoridades da Suíça para resolver os casos de exploração de trabalhores portugueses no país, que têm vindo a crescer e que envolvem vários licenciados

Na conclusão de uma visita à Suíça, em que se reuniu com representantes de sindicatos e outros membros da comunidade, o deputado socialista disse à Lusa que há "intermediários" a tirar partido do aumento da imigração portuguesa para a Suíça, retendo parte do salário dos contratados.

"Muitos recebem infinitamente abaixo daquilo que as convenções de trabalho na Suíça obrigam", disse à Lusa o deputado.

Enquanto o salário estipulado nas convenções varia entre 25 a 35 francos suíços por hora, nalguns casos o vencimento real dos trabalhadores é de "menos de 10 euros" (12,3 francos) e até "menos de cinco euros" (6,1 francos). "É uma situação de exploração laboral clara, que provoca um `dumping? salarial e cria problemas de natureza social. É uma infracção a todas as regras e leis do Estado suíço e não é aceitável que este tipo de situações ocorra", adiantou Paulo Pisco.

Nalguns casos, são empresas de portugueses a "atravessar dificuldades", que contratam conterrâneos e acabam por explorá-los, noutros os responsáveis são "intermediários com patrões suíços ou que eles próprios tem negócios", de acordo com as denúncias que têm chegado aos sindicatos. A construção é o sector onde se verificam mais destes casos, mas também há relatos noutros serviços, como a restauração, segundo o deputado socialista.

Pisco exorta o Governo a abordar as autoridades suíças para que sejam criadas "comissões mistas com inspecções do trabalho, colaboração entre autoridades policiais, para que este tipo de redes de exploração de portugueses pudesse vir a ser desmantelado". Além de serem negativos para as pessoas afectadas, estes casos prejudicam também "a imagem da comunidade" e "embaraçosa para Portugal", envolvendo violação das leis por portugueses.

Um ano depois de ter constatado "in loco" os "indícios" da situação, "não há uma resposta por parte das autoridades portuguesas, a nível consular". "O Consulado não tem capacidade de resposta, não tem funcionários suficientes (...) não sai do seu edifício, não tem uma preocupação de natureza social para que este tipo de problemas possa ser resolvido. É importante que as autoridades mudem um bocado de atitude", afirma Pisco.

Segundo o deputado socialista, o mais recente fluxo migratório para a Suíça inclui parte substancial de diplomados, como arquitectos ou engenheiros, que muitas vezes acabam a trabalhar na "restauração, limpeza ou agricultura".

 

artigo publicado on-line pela revista Visão

"Sabes que vou chegar de braços abertos"

Não há semana em que não receba contactos de pessoas que querem desesperadamente sair de Portugal. Para qualquer outro país, para fazer qualquer coisa. Este desespero deixa-me muito assustada, mas mais do que isso, imensamente triste.

Quando saí do país, apesar de a crise já se ter instalado de malas e bagagens, ainda não era tão comum emigrar. Não desta forma alucinada, não este tipo de emigração. Claro que não é  nada novo, gerações anteriores emigraram em massa, primeiro para as colónias, depois para França. Mas era um tipo de emigração diferente.

Portugal assiste agora a uma saída desmesurada de pessoal bem qualificado, que passou uma grande parte da vida a estudar e chega aos 20 e muitos sem nunca ter conseguido trabalhar.

E, falando sobre a realidade que conheço, se até há bem pouco tempo existia uma grande procura deste tipo de pessoas no mercado suíço-alemão, esta necessidade está a abrandar, o mercado está a ficar saturado e nós, Portugueses, estamos em clara desvantagem. Temos como concorrentes directos os emigrantes da Europa de leste, que com qualificações com o mesmo nível de reconhecimento que as nossas, têm muito mais facilidade em aprender a língua e são tão ou mais baratos que nós.

Já disse aqui várias vezes, e faço questão de o mencionar a quem me pergunta: a Suiça já não é o paraíso laboral de outros tempos. Um país cuja principal parcela de volume de negócios advém das relações comerciais com a Europa, não poderia escapar imune à crise. E o efeito está a fazer-se notar. Os bancos suíços, tidos como os melhores empregadores, com os melhores salários e benefícios começaram a despedir pessoal em massa. O banco UBS, por exemplo, anunciou em Outubro passado o despedimento de 10’000 pessoas.  

Quando estivemos em lá agora pelo Natal, dizía-me um conhecido que ama Portugal demais para ir embora. Um país abençoado, sem tsunamis, furacões ou desastres vulcânicos, rodeado de praias maravilhosas, montanhas e paisagens fantásticas. E que é uma pena que os bons profissionais se vão todos embora porque dessa forma não vai haver quem salve o nosso país. E doeu-me imenso saber o quanto ele está certo. Senti-me culpada por ter desistido do meu querido país e ter abandonado a luta.  Mas é um facto que em Portugal não há, neste momento, lugar para mim.  Nem para mim, nem para as outras centenas de jovens licenciados que já não sabem a que mais sacrifícios terão de se sujeitar para sobreviver. Nem mesmo para os nossos pais, que trabalharam a vida inteira e agora vêm os seus salários reduzidos e os seus empregos em risco.

Quando Portugal voltar a precisar de mim, voltarei de bom grado. Levarei comigo tudo o que aprendi num país de distintos profissionais e grandes empresas, e que me acolheu, mesmo que de braços pouco abertos, quando eu mais precisei.

Só espero já não estar reformada quando esse dia chegar.

 


 

 

Encontrei emprego na Suíça, e agora?

Fantástico, conseguiram emprego. Mas então e agora? Abalar assim do nada com a mochila às costas e dinheiro suficiente para lá chegar não é boa ideia. É péssima!

Vir trabalhar para um país como este implica muitos detalhes que podem escapar aos estreantes nestas lides de trabalhar no estrangeiro. Apesar de localizada na Europa, a Suíça não faz parte da União Europeia, pelo que chegar aqui com o cartão de cidadão no bolso não chega para cá ficar.

First things first.

Regra básica quando se vai trabalhar para fora, seja para que país for: Não sair sem contrato de trabalho em circunstância alguma. Se a empresa for fiável e tiver verdadeiro interesse, vai enviar o contrato antes da relocalização da pessoa em causa.

Contrato na mão, o próximo passo é encontrar um sítio para ficar. Se não tiverem a sorte de a empresa que vos contratou vos fornecer alojamento (temporário ou não), têm uma verdadeira odisseia pela frente. Arranjar casa cá é extremamente difícil, principalmente para estrangeiros e especialmente na parte francesa da Suíça. E não contem em conseguir encontrar alguma antes de cá chegar e fazer algumas visitas. O ideal é começar a pesquisa o quanto antes, no homegate.ch ou no comparis.ch e fazer contactos via e-mail / telefone. Preparem-se para passar alguns dias (na melhor das hipóteses) num hotel ou em casa de alguém, porque depois de arranjada a casa ideal e considerando que a vossa candidatura foi aceite (exactamente: existe uma lista de espera e é necessário preencher uma candidatura, para cada casa/apartamento), o processo que se segue não é especialmente célere. Há o contrato para assinar, a papelada para entregar e o pagamento da caução. Normalmente 2 rendas em avanço. E aqui chegamos a outro ponto muito importante a considerar:

Quem se muda para cá tem de ter, inevitavelmente, algum dinheiro de parte para fazer face às despesas que começar uma vida aqui implica.

A caução obrigatória quando se arrenda uma casa é normalmente o mais custoso. Uma renda para um T1 decente fora da cidade ronda os 1500 CHF. Aquando da entrada na casa há que pagar 2 meses de caução + a primeira renda. Façam-lhe as contas.

Depois há as despesas relativas a activações de serviços, registo na Gemeinde (tipo junta de freguesia, muito importante, não esquecer logo que se fixarem numa localidade!), seguros de saúde e por aí em diante.

Convém não esquecer que durante o primeiro mês não haverá salário, e considerando o nível elevado dos preços em geral, sobreviver aqui não é o mesmo que em Portugal.

Para que um cidadão Europeu possa trabalhar na Suíça precisa de um Permit (ou permis en Français). Nada mais que uma licença de trabalho e residência que tem de ser obtida na Gemeinde, apresentando o contrato de trabalho, a morada e algumas fotografias (e possivelmente mais qualquer coisa que não me recordo).

Quanto à saúde, não há cá mimos e segurança social promovida pelo governo. O seguro de saúde é privado, pago por cada indivíduo e obrigatório, e mais nada. É um dos primeiros requerimentos do empregador. Nada de pânico: nos primeiros dias, em caso de emergência e enquanto o seguro não está 100% operacional, podem usar o Cartão Europeu de Seguro de Doença que devem pedir em Portugal logo que saibam que vão sair do país (é que a coisa demora!). O melhor sítio para comparar preços de seguros e entender as mais variadas ofertas e opções é novamente o comparis.ch, o melhor amigo dos estrangeiros!

O empregador pode e deve assistir os seus recém-contratados aquando de uma relocalização. Mais que não seja, fornecendo informações de como e onde procurar o quê, e disponibilizando-se como referência no processo de avaliação de candidaturas para alojamento.

Finalmente, nem tudo são más notícias! Não se preocupem se a mudança para cá implicar falência técnica e quiçá empenhamento até ao tutano. Serão capazes de saldar as dívidas contraídas para o efeito facilmente em dois ou três meses de trabalho!

 

Como arranjar emprego na Suíça

Não, não vou passar nenhuma fórmula milagrosa que vai resolver todos os problemas do mundo, e muito menos dizer algo de novo que nunca tenha sido dito.
Quero apenas com este post esclarecer que eu não trabalho em recursos humanos, não tenho uma agência de emprego nem conheço ninguém que "arranje um tacho".
Limitei-me a enviar currículos a torto e a direito, batalhei e consegui emprego da forma mais límpida e comum possível: desunhando-me a procurar.
Referindo-me só e apenas à minha área, encontrar emprego cá não é mais fácil que em qualquer outro sítio pela Europa fora. Desenganem-se os que pensam que este país é o pote de ouro no fim do arco-íris. Há alguma oferta (não tanto como em outros tempos), mas o grau de exigência é elevadíssimo. Falar alemão é quase um must e raras são as ofertas que não o exigem como requisito base. No entanto ainda é possível trabalhar na Suíça falando apenas inglês. E depois a experiência profissional. É muito chato, porque todos nós temos que começar por algum lado, mas a verdade é que aqui não é o lugar. Principalmente se ainda residirem noutro país. Nenhum recrutador vai fazer deslocar uma pessoa que nunca trabalhou na vida e incorrer no risco de esta não se adaptar, não gostar de trabalhar ou simplesmente não servir e ter que voltar para o país de onde veio.
Esqueçam a ideia de vir cá passar uns tempos e "entregar uns currículos". Pelo menos por cá, isso já não se usa. De nada serve ir bater às portas das agências de emprego com o cv debaixo do braço. A maioria vai pedir-vos que enviem na mesma por e-mail, e uma grande parte nem sequer vai aceitar a versão papel. O mesmo se aplica às empresas: andar de porta em porta não resulta. Na maior parte das vezes não vos deixarão entrar, muito menos se disserem que é para entregar um currículo.
A melhor forma de procurar emprego é a mais básica: via internet. Existem vários sites, sendo que o mais popular por estas bandas é o jobs.ch, onde eu própria encontrei a oferta para a posição onde hoje trabalho. Os sites das agências de emprego também são uma boa fonte, uma vez que é bastante comum aqui que as empresas recorram a agências para recrutamento. Tenho ouvido que a mais eficiente para estrangeiros é a Michael Page.
Um dos maiores problemas que tenho encontrado entre as pessoas que me pedem ajuda é precisamente o cv. Se não têm ideia do que colocar num cv, usem uma ferramenta on-line. Usem o europass, por exemplo. E se procuram um emprego como secretária admnistrativa, não escolham uma foto em que parecem uma barmaid! Não esquecer que estamos a concorrer para emprego em outro país, onde as pessoas não sabem o que é ZON, a Casa das Sandes ou o João Ramiro e Filhos Lda.. Expliquem devidamente qual é a área de actividade das empresas onde trabalharam anteriormente e os detalhes da vossa função. Se não têm experiência profissional relevante, coloquem qualquer outro tipo de actividades que tenha feito: voluntariado, seminários, formações complementares... Enviar um currículo de onde só consta a formação académica, a menos que seja para um estágio, é o mesmo que estar quieto. E não esquecer a carta de apresentação. Não vale andar a procurar modelos "pré-fabricados" na internet.
Outra ferramenta útil para procurar emprego cá é o linkedin. Criem um bom perfil, completo e com fotografia e comecem a vossa rede profissional. Concorram a ofertas de emprego e mantenham-se activos e eventualmente alguém pode reparar em vocês. Não caiam no erro de criar um perfil inteiramente em português, pelos motivos óbvios.
As cunhas, o factor "C", whatever, whatever... não funcionam aqui. Um amigo que conhece uma empresa que precisa de uma pessoa com determinado perfil e que vos arranja uma entrevista, sim. Mas o emprego não está garantido por causa disso.
Muito importante é não desistir. Insistir até à exaustão. Quando pensarem que já não dá mais, alguma coisa acaba por aparecer.

 

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